Mas este monumento geológico, este vulcão que é ainda, volvidos tantos anos, considerado um vulcão único no mundo das Ciências Vulcanológicas, não só alterou a fisionomia da ilha, como deixou atrás de si um rasto de destruição nas habitações e nos terrenos mais próximos, originando um surto emigratório para os Estados Unidos da América. Infelizmente não havia ainda poder regional que socorresse condignamente as populações afectadas, tendo, por isso, valido a ajuda de estrangeiros amigos – concretamente do então Senador John Kennedy, de Massachusetts, e do Senador John Pastore, de Rhode Island, através do que veio a ser conhecido como Azorean Refugee Act - que, ainda assim arrancaram dos Açores gentes que nunca esqueceram e nunca deixaram de fazer falta a estas ilhas.
Hoje, e apesar disso, volvido meio século sobre tal erupção, não podendo deixar de referenciar o enorme progresso que a Democracia e a Autonomia trouxeram aos Açorianos, devemos comemorar o 50.º aniversário do Vulcão dos Capelinhos imprimindo a essas comemorações um sentido de futuro, de perenidade e de reforço da Ilha do Faial na simbologia do arquipélago e nas incertezas e lutas das nossas gentes.

No pensamento das gerações e das famílias faialenses, sempre que, perante a memória recuperada deste lugar, evocarem os seus antepassados, o presente ou os seus netos, haverá que dizer que o que a Autonomia nos trouxe foi o que os vulcões e os terramotos outrora nos levavam: o gosto e a oportunidade de, sendo Açorianos, podermos viver nos Açores

O Presidente do Governo Regional
Carlos Manuel Martins do Vale César

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